IBRASEM

4° FÓRUM DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA NAS EMPRESAS DO RIO DE JANEIRO


TEMA LIVRE - POLÍTICAS PRIVADAS DE PREVENÇÃO AO USO E ABUSO DE DROGAS E DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO CONTEXTO DA SEGURANÇA EMPRESARIAL

Autor: Carlos Paiva - Consultor da GLOBAL Vigilância & Segurança Especial Ltda. (RJ)
Novembro/96 - Rio de Janeiro - RJ

DROGAS & DEPENDÊNCIA QUÍMICA - UM DESAFIO EMPRESARIAL

Um dos grandes problemas da década está ligado ao uso e abuso de drogas e substâncias químicas. Não é apenas o enfoque social que deve ser analisado, mas também o impacto econômico sobre as organizações e seu funcionamento. Estamos diante de um enorme e complexo desafio de saúde pública, com evidentes reflexos na vida pessoal e nas estruturas empresariais.

Para a Segurança Empresarial, é antes de tudo, mais um setor a merecer atenção e cuidado, mas principalmente integração e cooperação visando manter o assunto dentro de sua real e adequada dimensão. A GLOBAL entende que o uso de abuso de drogas e dependência química nas empresas, também é um problema de segurança, em função dos riscos que dependentes e usuários podem provocar, tanto para sí como as demais pessoas que estejam no ambiente ocupacional.

O conjunto de resultados negativos provenientes do uso e abuso de drogas e substâncias químicas, perpassa o ambiente de gestão de pessoal e genericamente amplia riscos internos, tanto nos sistemas "safety" quanto no "security". Compete a Segurança Empresarial assegurar a proteção de pessoas, bens e instalações e a problemática das dependências químicas e o uso e abuso de drogas, interferem na potencialização dos riscos, exigindo intervenções adequadas para sua inibição e controle.

A GLOBAL dentro dessa sistemática vem desenvolvendo Programa Interno de Prevenção, e disponibilizando para seus clientes a implantação dos mesmos em suas organizações, num regime de cooperação para o enfrentamento ao grave problema. É preciso que a matéria perca o aspecto de "tabú" e seja tratada como um assunto de interesse para a obtenção de parâmetros mais avançados em gestão de recursos humanos, através da participação coletiva da instituição e de todas as suas estruturas e pessoas.

A GLOBAL participou do 4º Forum de Dependência Química nas Empresas do Rio de Janeiro, realizado na FIRJAN, entre 11 e 13 de novembro p.p. no Rio de Janeiro (RJ), promovido pelo Forúm Permanente de Dependência Química nas Empresas do Rio de Janeiro, tendo alí apresentado "Tema Livre ", cujo documento é a seguir apresentado.

Após o Documento, informamos uma relação de locais a serem contatados e que atuam no setor.

RESUMO

O presente trabalho visa problematizar no âmbito da segurança empresarial as situações ligadas a uso e abuso de drogas e dependência química nas empresas, buscando estabelecer procedimentos e ações ligadas à prevenção dessas ocorrências, a partir da conceituação do problema e das formas de seu enfrentamento pelas organizações, face as ameaças contra a integridade física e patrimonial que podem ocorrer a partir do problema. Considerando-se a Segurança Empresarial como responsável pela continuidade das atividades ou negócios da organização a partir de conhecimentos, técnicas e métodos voltados para o esquema protetivo de pessoas, bens e instalações, bem como , a interação que deve nortear seus procedimentoscom os interesses coletivos, sugere-se a integração da segurança empresarial aos programas de prevenção adotados pelas empresas, e ainda , a motivação a partir de suas estruturas para que empresas e organizações, mantenham tais programas, que podem e devem ser apoiados pela segurança integrando-se a equipes ou esquemas multidisciplinares que atuem sobre o problema nas empresas.

A intervenção e/ou suporte da Segurança Empresarial no tocante a essas políticas no campo das empresas justifica-se pela própria natureza e tipicidade da matéria, cujas conseqüências resvalam para riscos ou situações reais que comprometam a segurança nas organizações, a partir do amplo espectro que envolve segurança tais como segurança física contra intrusões, proteção contra fraudes, contra-espionagem e prevenção de acidentes ocupacionais.

INTRODUÇÃO

A Segurança Empresarial constitue-se no modelo de atendimento as necessidades das instituições e organizações, voltado para a preservação e proteção de pessoas, bens e instalações, visando a continuidade operacional pelo uso de conhecimentos, técnicas e métodos aplicáveis à segurança e a salvaguarda.

A Segurança Empresarial tem por escopo atender as organizações nas suas necessidades protetivas contra agressões internas ou externas, que possam colocar em risco seu patrimônio, suas atividades e as pessoas ali envolvidas. A Segurança Empresarial tem enfoque eminentemente preventivo e busca pela inibição e/ou dissuasão evitar ou minimizar riscos provenientes de agressões criminosas. Seu campo de atuação é determinado e é atividade econômica regulamentada, sujeita a controle jurisdicional por parte do Ministério da Justiça, dependendo de autorização para funcionamento e credenciamento para a atividade de prestação de serviços.

Uma de suas características operacionais é que permeia por toda a instituição ou empresa, já que sua atividades são contínuas e ininterruptas, mantendo dessa forma uma presença nuclear e possuindo perante a empresa e seus dirigentes uma significativa responsabilidade.

Nesse contexto presentemente surge um desafio para a segurança empresarial , que é o do uso e abuso de drogas e dependência química na empresa onde atua a segurança, que na maioria das vezes é uma atividade terceirizada, realizada por empresas de vigilância e segurança existentes no mercado.

No tocante a drogas e dependência química, existe todo um referencial sócio-cultural que atua sobre o sistema de segurança, envolvendo preconceitos e distorções a partir de seus agentes quanto a usuários e/ou dependentes. Com a ampliação do problema na sociedade e a necessidade de intervenção para sua solução, hoje uma demanda universal, é imprescindível que a segurança empresarial atue junto a organização, de modo sistêmico e integrado, visando a obtenção de resultados que contribuam na implantação ou execução de políticas privadas voltadas para a prevenção ao uso e abuso de drogas e dependência química.

Reconhece-se hoje a partir de estudos científicos e de pesquisas sobre o assunto , que existem duas pontas na atuação contra o uso e abuso de drogas e dependência química. A primeira delas, refere-se ao controle da disponibilização de drogas ilícitas e a um maior controle das chamadas lícitas. A outra, envolve processos de intervenção que envolvem a área de educação e de saúde, em procedimentos de educação e de reeducação que visem uma abordagem ampla sobre o assunto, mas que mantenham o referencial de sensibilização, visando o combate a ampliação do número de usuários e dependentes.

Nesse ponto é importante que as instituições e empresas, adotem Políticas Internas de Prevenção e Assistência ao Uso e Abuso de Drogas e Dependência Química, visando atender a seus colaboradores num assunto que hoje deve mobilizar toda a sociedade. Campanhas Educativas e Promocionais podem ser implementadas, usando como referencial as de Prevenção de Acidentes do Trabalho que exercitadas no Brasil, há cerca de duas décadas conseguiram significativos resultados, tendo a participação de sistemas de Segurança Empresarial.

Estribadas no conceito econômico e social, tais campanhas trazem em sua essência a demonstração dos prejuízos para as empresas e para os trabalhadores a partir de acidentes e doenças causadas pelo trabalho, e enfocando com destaque o aspecto econômico-financeiro, conseguiram sensibilizar dirigentes empresariais e gestores para a importância do tema.

Esse modelo pode ser transportado e resguardadas as peculiaridades de cada organização, com o acurado estudo de sua cultura interna, aplicado em função macro no campo da educação de recursos humanos, podendo a Segurança Empresarial oferecer colaboração a partir do modelo usado na prevenção de riscos ocupacionais.

SEGURANÇA EMPRESARIAL: CONTEXTO DROGAS E DEPENDÊNCIA QUÍMICA

O uso e abuso de drogas e a dependência química nas empresas, é também um problema para a área de segurança. Conceituada sua origem no campo da Saúde Pública, face as dimensões com que se reveste na atualidade, não há ainda em nosso meio uma mobilização que traga o assunto a nível de integração de ações, com a participação do sistema de
segurança empresarial.

O problema envolve preconceitos e tem ainda em muitos casos, uma resposta limitada a procedimentos repressivos. Por outro lado também é comum observarmos, o assunto ser "ignorado" como forma de fugir ao seu enfrentamento e solução. A tratativa do tema nas organizações , quase sempre esbarra em "censuras veladas" que visam uma falsa e equivocada "proteção de imagem", que na verdade é uma potencialização de riscos para o usuário/dependente e para a organização.

O campo da segurança empresarial envolve variados riscos, riscos esses que podem ser ampliados, a partir da presença nas áreas ou ambientes de risco de pessoas que apresentem problemas de saúde ligados à dependência ou uso de drogas e que através de suas ações, certamente comprometerão uma política de segurança.

No campo da segurança ocupacional, a prevenção de acidentes sofre graves reflexos a partir da dependência química ou do uso de drogas. Como exemplo, basta sinalizar algumas tarefas industriais como operação de guindastes, pontes-rolantes, empilhadeiras e veículos em geral. Operadores comprometidos em sua saúde não só representam risco para si, como expõe a risco a todos ali presentes...

No campo da segurança patrimonial, o problema também aparece. Usuários e dependentes, oferecem risco potencial que variam da prática de ações de desvios comportamentais a problemas de inter-relacionamento que geram, não raro, situações até mesmo de agressões verbais e físicas.

Para a segurança empresarial esses fatores de risco pessoais, podem comprometer sistemas complexos de segurança que variam da segurança de dados a segurança física de produtos ou instalações.

Por outro lado, a disseminação do uso de drogas, pode trazer para a segurança novos riscos, já que usuários usuários na busca ao atendimento as suas necessidades, não hesitarão em cometer desvios de conduta (furtos, fraudes , desvios de mercadorias ou bens, fornecimento de dados tecnológicos ou de gestão a concorrentes , sabotagens etc.), sujeitando toda a estrutura a perigos que dependendo de sua amplitude, podem significar o fim da organização.

Agressões externas podem ser facilitadas e obterem maior chance de sucesso, se por exemplo, nosso sistema de vigilância estiver "neutralizado" com seus agentes desatentos ou inertes, em função de dependência química ou do uso de drogas. Na prática, isso significa que o risco para a segurança é total, a partir de um problema de saúde individual, ou seja , técnicas de prevenção devem ser ativadas para evitar que existam fatores sensíveis de risco, não só na empresa, mas também na própria estrutura e nos sistemas operacionais de segurança. A Segurança Empresarial deve estimular nas organizações a implantação de Programas Preventivos e de Assistência a usuários e/ou dependentes, visando minimizar a potencialização de riscos em sua área de atuação. Deverá também atribuir aos seus quadros funcionais a responsabilidade na cooperação a tais programas, bem como, manter na exata dimensão do problema de saúde as intervenções necessárias.

Também deve ser analisada pela segurança empresarial a avaliação de seus quadros funcionais quanto a riscos ou situações já existentes, e adotadas as medidas tendentes a intervenção. Programas específicos para a área de segurança empresarial devem ser elaborados, visando obter de seus agentes cooperação, a partir do conhecimento da complexidade do problema e das técnicas corretas de intervenção e apoio.

A Segurança Empresarial, dispõe pela sua própria natureza, de mecanismos de busca de informações e de análise de riscos , que devem ser disponibilizadas para as equipes multidisciplinares que atuam nos Programas de Prevenção e Assistência. As características operacionais de segurança que a obrigam a circular e operar por todas as dependências da organização, podem significar um vetor importante nesses Programas.

A ampliação da ação criminosa quanto a drogas, pode significar risco para as empresas, devendo-se levar em conta as seguintes possibilidades:

› Utilização das dependências da empresa para guarda de drogas, visando eliminar riscos em outros locais;
› Utilização de armários individuais para guarda e distribuição interna de drogas;
› Utilização de empregado para motivação ao uso de drogas na organização, em especial aqueles que pela natureza de sua atividade mantenham capacidade de circulação, ou com grande número de contatos pessoais internos.

A Segurança Empresarial tem assim um enorme desafio em suas atribuições a partir da problemática do uso e abuso de drogas e dependência química. Deve estar estruturada e capacitada aos procedimentos de prevenção e controle, bem como, cooperar com outras estruturas na organização para a solução do problema. Compete a segurança estabelecer a Análise de Riscos , visando impedir a ocorrências de graves problemas na empresa ,que podem surgir a partir de uma visão distorcida quanto ao problema, que mantenha apenas uma visão repressiva ou policialesca, que não lhe cabe e cuja ação trará danos irreparáveis a sua eficiência e eficácia.

CONCLUSÃO

A atual conjuntura empresarial sinaliza para a redução de custos, visando equalizar a oferta de seus produtos, bens ou
serviços as novas formas econômicas. A Segurança Empresarial é um vetor nesse processo, já que visa assegurar a proteção contra agressões externas ou internas, ou incidentes que venham a comprometer a estrutura empresarial.

Dentro desse cenário, o Uso e Abuso de Drogas e a Dependência Química, representam prejuízos diretos e indiretos para a organização, a partir de seus Recursos Humanos atingidos pelo problema, devendo merecer a intervenção da Segurança Empresarial em atividades de suporte a Programas de Prevenção e Assistência.

A Segurança Empresarial deve estabelecer parâmetros de Análise de Risco quanto a ocorrências desses problemas na organização, e integrar-se as estruturas de RH, Serviço Social Ocupacional, Psicologia do Trabalho, Medicina Ocupacional e Segurança do Trabalho, visando contribuir no enfrentamento do problema, devendo privilegiar em Campanhas Educativas a participação prioritária de seu pessoal, visando inclusive, criar novos agentes mobilizadores.

A Segurança Empresarial deve buscar informações sobre a matéria e inserir-se como um agente dinâmico no problema, já que os efeitos gerados pelo uso ou abuso de drogas e dependência química, representam riscos potenciais em todas as suas áreas de atuação na empresa, cabendo a segurança associar-se as medidas de gestão com vistas aos novos paradigmas empresariais, que privilegiam o sistema de Recursos Humanos, visando a ampliação de mercados e o crescimento da organização. Assim, compete a Segurança Empresarial procedimentos estratégicos e contingenciais voltados para a solução do problema nas empresas, atuando na exata dimensão do problema de saúde pública que atinge as empresas, através de sua metodologia protetiva.

A Segurança Empresarial, em grande parte atuando como sistema terceirizado, tem um enorme e relevante papel a desempenhar na problemática de uso e abuso de drogas e dependência química nas empresas, podendo criar parcerias internas e externas, visando melhor atender as organizações a quem presta serviços.

Para outras informações:

Central de Serviços de Alcóolicos Anônimos
Av. Rio Branco, 57 sala 201
Tels: (021) 233-4813 / 253-9283

Narcóticos Anônimos
Rua do Acre, 47 sala 412
Tels: (021) 233-88-98 / 233-0220

Conselho Estadual de Entorpecentes - CONEN/RJ
Rua Fonseca Teles, 121 / 3º andar
Tel. (021) 589-8709

Associação Brasileira de Estudos de Alcóol e outras drogas - ABEAD
Tels.: (021) 253-23-30 / 253-5907

Drogas

O fascínio do homem em inventar substâncias que, atuando no cérebro ou outros órgãos aliviem a dor, tanto física quanto psíquica é bem antiga.

As drogas acompanham o homem em sua evolução, seja para alívio da dor (analgésico); como auxílio nas intempéries físicas e geográficas (índios sul-americanos mascam coca para vencerem a fadiga e a fome); ou como estratégia para obter respostas acerca de sua existência (rituais religiosos ou festivos em determinadas tribos).

Concomitantemente ao avanço tecnológico, o qual propiciou a descoberta de novas substâncias contra a dor, surgiu o fenômeno da dependência ( do vício), que aliado a fatores culturais ( e muitas vezes econômicos) fez com que a questão legalidade e ilegalidade intervisse para controlar o uso ( e abuso) dessas substâncias.

O abuso de drogas é considerado pela Organização Mundial da Saúde, como sendo uma "doença epidêmica", o que nos remete aos múltiplos fatores, a saber, o produto, a personalidade e a sociedade - responsáveis pelas alterações orgânicas, psicológicas e sociais.

Vários fatores podem interferir para no uso e/ou abuso de drogas e sua manifestação, como a pré-disposição genética, meio cultural, constituição psíquica do indivíduo e ambiente social.

Considera-se droga toda e qualquer substância que o ser humano usa e altera o Sistema Nervoso Central.

TRÊS FUNÇÕES PODEM SER DESIGNADAS ÀS DROGAS:

1 - Superar as angústias existenciais;
2 - Entrar em contato com sensações sobrenaturais;
3 - Obter prazer.

EFEITOS DA DROGA EFEITO DA ABSTINÊNCIA

- dormência - dor
- euforia - ansiedade
- secura na boca - suor, coriza, salivação
- prisão de ventre - diarréia
- pulso lento - pulso acelerado
- hipotensão - hipertensão
- fim da tosse - tosse
- respiração lenta - respiração rápida
- pupila contraída - pupila dilatada
- hipo-tonicidade muscular - hiper-reflexia, cãibras
- sonolência - insônia

Classificação das drogas segundo os efeitos no Sistema Nervoso Central

Depressoras - benzodiázepínicos
- barbitúricos
- analgésicos e anestésicos
- neurolépticos

Estimulantes - anfetaminas e derivados
- nicotina
- xantinas (cafeína e outras)
- efedrina

Modificadores de conduta - euforizantes - cocaína, crack, etc.
- depressores - etanol
- solventes voláteis
- opióides
- alucinógenos - canabinóis
- lsd
- mescalina
- psilocibina
- "chás", etc.


Carlos Paiva
Presidente do Comitê de Segurança Empresarial da
Agencia Brasil de Segurança - ABS
E-mail: paiva@pointtrade.com
© 2011 Ibrasem - Instituto Brasileiro de Segurança Empresarial
Desenvolvido por Br Domínio